sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Classic Albums - Allman Brothers: A história por trás de At Fillmore East






Em 1971, o The Allman Brothers Band enfrentava dificuldades para obter reconhecimento e sucesso comercial. Embora tivessem uma boa base de seguidores, as vendas dos dois primeiros discos de estúdio não iam nada bem. O autointitulado debut de 1969 tinha vendido menos de 35.000 cópias e o segundo, Idlewild South, saiu-se um pouco melhor, contendo dois singles: Midnight Rider e Revival.

O que os motivava eram os fãs, que iam à loucura nas performances ao vivo contagiados pela mistura blues, jazz, rock e country que tocavam até alguém tirar  o fio da tomada.  Butch Trucks, baterista do ABB, descreve o som daquela época: “Pegamos o que o Cream e o Grateful Dead faziam e adicionamos John Coltrane e Herbie Hancock a essa mistura. Dessa forma, chegamos a lugares  em que ninguém nunca havia imaginado. Quando ouço alguém nos descrevendo como Southern Rock fico irritado.”. Realmente, era muito mais que isso.

Dessa forma, surgiu uma luz na cabeça dos músicos e empresários, concordando que a única maneira de retratar a  essência do Allman Brothers seria colocando um disco ao vivo no mercado. A escolha da casa de show para gravação não poderia ser mais óbvia: o Fillmore East, do promotor e amigo Bill Graham, em Nova Iorque, cidade muito querida por eles até hoje. “A plateia de Nova Iorque sempre foi excelente,” lembra o guitarrista Dickey Betts “mas o que fazia o Fillmore ser tão especial era Bill Graham. Ele foi o melhor promotor que o rock já teve e dava para sentir sua influência em cada canto do Fillmore.”. Além do Fillmore East, Graham também era proprietário da lendária casa Fillmore West em São Franciso, onde promoveu datas lendárias com Santana, Creendence Clearwater Revival, Janis Joplin, entre muitos outros. Apenas três meses depois do show do ABB, a casa da costa leste foi fechada. Precisa dizer quem Graham convidou para tocar no dia de encerramento?

A banda foi agendada para três noites, 11, 12 e 13 de Maço de 1971, sendo escalada entre Elvin Bishop e Johnny Winter, que fechava a festa. Um estúdio móvel de 16 pistas foi instalado do outro lado da rua com o produtor Tom Dowd e sua pequena equipe dentro. Dowd, responsável por inúmeros discos do ABB e de nomes como John Coltrane, Ray Charles, Cream, Lynyrd Skynyrd comentou: “O álbum capturou o momento de glória da banda. A música dos Allman’s sempre teve um swing único dentro do rock. Eles tem uma levada de jazz mesmo quando tocam algo tangenciando o blues ou mesmo um rock pesado. Nunca foram estáticos, sempre tocaram para frente e com muito groove.”.

Tudo ocorria muito bem até que banda convidou o saxofonista “Juice” Carter e o gaitista Thom Doucette para participarem de muitas músicas na primeira noite. “Um deles me perguntou se eu poderia microfonar um sax e eu achei que ele estava brincando.”, lembra Dowd. “Eles começaram a tocar e o sax foi encobrindo todos os instrumentos, tornando as músicas inaudíveis. Durante o intervalo eu corri até Duane e disse ‘O saxofonista tem que sair fora’, então ele respondeu ‘Mas o cara está detonando!’, foi quando lamentei francamente ‘Duane, acredite em mim, essa não é a hora para testarmos isso’. Depois ele me perguntou se poderia manter o gaitista e eu disse que tudo bem, sabendo que seria possível tirá-lo ou diminuir seu volume se fosse necessário.”.

Sem o sax e com a gaita sendo cortada de várias músicas (ninguém se lembra exatamente de quais), Doucette trouxe um toque especial para You Don`t Love Me e Done Somebody Wrong. Após cada show, banda e Dowd corriam para o estúdio da Atlantic Records para ouvir o que havia sido registrado, assim eles saberiam o que melhorar ou tirar na noite seguinte.

A seção rítmica contando com dois bateristas, Jai Johanny Johanson e Butch Trucks, adicionadas ao groove solto e violento do baixista Berry Oakley, mais o órgão/piano de Gregg Allman só ficaria perfeita quando entrelaçada pela dupla mágica composta pelas guitarras de Duane Allman e Dickey Betts. Gregg disse que em 1970 eles haviam feito 306 shows, sendo que os dias em que não tocavam eram gastos viajando de uma cidade para outra, indicando o auge da sintonia entre todos que podemos ouvir nos sulcos de At Fillmore East.

Com tudo que foi registrado nos dias 12 e 13, os Brothers tinham material suficiente para lançar um disco duplo ao vivo e preencher mais da metade do próximo álbum, Eat a Peach, incluindo a épica Mountain Jam e 33 minutos que, pasmem, foi tocada logo após a versão de 23 minutos de Whipping Post. Na verdade, não fosse o trágico acidente que vitimaria Duane Allman apenas alguns meses depois,  Eat a Peach seria um disco simples e sem as faixas retiradas das sobras do Fillmore, conforme Trucks revelou anos mais tarde.

Alguns meses depois dos shows em Nova Iorque, a banda estava nos estúdios da Capricorn Records em Macon, Georgia, quando ficou sabendo que o álbum estava pronto e deveriam escolher a capa imediatamente. “Nós decidimos fazer porque a Atlantic escolhia capas horríveis na época. Nós queríamos que ela fosse direta e sem frescuras, do jeito que a banda era. Então alguém disse ‘Vamos logo tirar uma foto como se estivéssemos nos bastidores esperando para entrar num palco.’” Dessa ideia simples surgiu umas das fotos mais representativas da história do Rock.

O fotógrafo Jim Marshall foi chamado e clicou o grupo em apoiado nos cases de seus equipamentos fora do estúdio em Macon. Para a contracapa, foi tirada uma foto com os roadies no lugar da banda tomando umas cervejas da marca Plabst Blue Ribbon oferecidas por Jim em recompensa pelo esforço por terem carregado todo o equipamento para lado de fora só para a fotografia. “Foi ideia do meu irmão. A equipe sempre teve um papel muito especial para nós.”, explica Gregg.

Contracapa com a equipe da banda tomando umas cervejas


É de se espantar que um LP duplo contenha apenas sete faixas (como Made in Japan do Deep Purple), sendo que duas delas, You Don’t Love Me e Whipping Post ocupam um lado inteiro de um disco e In Memory of Elizabeth Reed passa dos 13 minutos. Não foi fácil convencer os executivos da Atlantic sobre viabilidade comercial de um álbum com essa configuração. Depois de muita conversa, Phil Walden, proprietário da Capricorn, convenceu os executivos da major: “A Atlantic/Atco rejeitou a ideia de lançar um duplo ao vivo. Jerry Wexler (N.T Executivo da Atlantic) achava ridículo preservar todas aquelas jams. Explicamos para ele que o Allman Brothers era uma banda do povo e que a única coisa que importava era tocar, não ficar trancado num estúdio gravando como eles queriam.”. Graças à insistência de Walden, hoje podemos ouvir o disco que cravou o conceito de Jam Band.

Vendido por um preço de até três dólares abaixo do mercado para um LP duplo, o merecido sucesso chegou. Lançado em Julho daquele ano, em Outubro o At Fillmore East já era disco de ouro, com direito a uma resenha da revista Rolling Stone que dizia, com todas as letras, que os Allman's eram a “the best damm rock and roll band”  no país.

A riqueza e a fama pegou todos de surpresa, assim como o trágico acidente que levou “Skydog”, rei do slide guitar, daqui para melhor. Duane foi morto num acidente de motocicleta em 29 de Outubro, em Macon, durante uma pausa no meio das gravações de Eat a Peach. Emocionado, Gregg relembrou durante uma entrevista: “Na época eu pensei ‘Meu irmão não foi recompensado porque não teve tempo de colher os frutos que plantou’. Senti isso durante anos, mas aos poucos percebi que ele deixou um grande legado por ter morrido aos 24 anos. Muito disso vem do Fillmore. Eu ainda ouço o disco e fico maravilhado com o frescor dos seus licks e com o belíssimo timbre que possuía. Ele era único, assim como Oakley. (N.T: O baixista Berry Oakley morreu num acidente de moto apenas um ano após a partida de Duane) A oportunidade de nós seis termos nos encontrado e formado uma banda é inacreditável.”.

Só nos resta o prazer de colocarmos o Fillmore na agulha e flutuarmos, assim eles faziam no palco.

Foto da mesma sessão feita para a capa, com
a banda num disposição diferente


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Resenha de Livro: O Reino Sangrento do Slayer




Chegou ao mercado brasileiro no final do ano passado, pela editora Edições Ideal,  a biografia “O Reino Sangrento do Slayer”, contando a trajetória da banda mais pesada e polêmica da história do Thrash Metal. O autor é o renomado Joel McIver, que também assinou biografias de nomes de peso como Metallica, Black Sabbath, Sex Pistols, entre outros. O prefácio ficou por conta dos pais do ressurgimento do Crossover nos anos 2000, o Municipal Waste, e em terra brasilis, a honra coube ao vocalista do Zumbis do Espaço, Tauil.

Como o próprio autor da obra já indica na introdução, o livro dá prioridade à carreira do grupo do meio para frente, embora o início da vida particular de cada integrante, bem como os famosos perrengues sofridos por qualquer banda no começo de carreira não passem despercebidos. 

Os capítulos estão divididos pelos nomes dos álbuns lançados e por períodos dos anos, o que facilita a busca por informações pontuais.  Ao longo de todo o livro foram incluídas centenas de citações dos músicos, a maioria delas feitas ao próprio autor, o que demonstra a credibilidade do mesmo e prova a proximidade que manteve com eles ao longo dos anos.

Algo que me agradou muito na leitura foi a posição profissional que McIver adotou em relação à obra da banda, distanciando-se do prisma de um fã que baba ovo para tudo que seu artista favorito lança, como se lê em algumas outras biografias. Se por um lado o autor exalta os clássicos Reign in Blood e Divine Intervation, por outro comenta sobre a infantilidade das letras em Show No Mercy, as pisadas na bola cometidas em Diabolus in Musica, além de meter o pau nos covers gravados ao longo da carreira, entre outros.

Como o livro foi lançado originalmente em 2008,  World Painted Blood e os shows do Big 4 não são relatados nessas páginas. Existem alguns erros de tradução perceptíveis ao decorrer da leitura, mas que não afetam na qualidade de um modo geral. Conta ainda com dezesseis páginas recheadas de fotografias raras em preto e branco que registram desde os shows amadores do início da década de 80, passando pelo marco da amizade que tinham com o Pantera, até fotos tiradas em 2007.

Embora o autor tenha feito todos os esforços para que essa fosse uma biografia oficial, não foi o que conseguiu. Assim como ele, aguardo por um lançamento feito sob a tutela da banda. Enquanto isso, aproveite a leitura e revisite todos os discos em alto e bom som!

“Slayer? São fodas!” – Tony Foresta, vocalista do Municipal Waste.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Classic Albums: A história por trás do Master of Reality




Pôster do filme
com Boris Karloff
A história do quarteto mais famoso de Birmingham teve início em 1968, quando ainda se chamavam Earth, mudando para Black Sabbath influenciados pelo filme de terror homônimo com Boris Karloff  que o baixista Geezer Butler havia assistido num cinema próximo à sua casa e após notarem que já existia outra banda usando o antigo nome. O grupo evoluiu muito rápido e o saldo no final de 1970 já era gigantesco: dois discos lançados figurando entre os vinte mais vendidos no Reino Unido, a estreia em LP marcava presença nos Top 30 nos Estados Unidos, a música Paranoid tornou-se um single Top 5 em sua terra natal, além de shows na América e por toda Europa.

Nesse clima de euforia e para não perder o pique, no primeiro dia de Janeiro do ano seguinte já agendaram uma sessão no Island Studios em Londres, em companhia da mesma equipe que gravou os dois primeiros discos: o produtor Roger Bain e o engenheiro de som Tom Allom, que trabalharia futuramente com os conterrâneos do Judas Priest em clássicos seminais da banda. Nesse estágio, o Sabbath já estava trabalhando nas músicas After Forever e Into the Void, embora essa última ainda se chamava Spanish Sid, sendo que as duas foram sendo refinadas numa curta turnê que a banda fez ainda em Janeiro pelo Reino Unido. Uma curiosidade que ronda essa sessão é uma faixa que a banda gravou contra sua vontade para ser lançada como single de estreia, intitulada Weevil Woman ’71’,  que ficou de fora do lançamento oficial na época e permaneceu guardada até lançarem a versão dupla expandida que saiu em 2009.

Depois da tour no início do ano, a banda voltou para o mesmo estúdio e gravaram o terceiro álbum de sua carreira entre Fevereiro e Abril, o que era um longo período e uma novidade para eles até então: “Tivemos dois dias para gravar nosso disco de estreia e não muito mais que isso para o Paranoid. Aproveitamos a oportunidade: Tony compôs peças de violão clássico, Geezer multiplicou o poder de seu baixo, eu explorei os overdubs e uma bateria com som mais grave, além de Ozzy estar muito melhor”, relembra Bill Ward. A bateria a que ele se refere é a 600 Ludwig Series.

Uma outra mudança que surtiu efeito na banda decorreu do acidente de trabalho que cortou a ponta dos dois dedos interiores da mão direita de Tony Iommi. Para sentir-se mais confortável ao tocar, o guitarrista abaixou o tom do seu instrumento para Ré. Consequentemente, Geezer também teve que mudar a afinação de seu baixo e isso tornou o som do Sabbath muito mais grave, pesado e sombrio. Tal afinação tornou-se marca registrada dos estilos Doom e Stoner, além influenciar toneladas de bandas modernas até hoje.

Até então eles ainda tinham controle sobre os excessos que cometeriam anos mais tarde. A insanidade que foi o abuso de drogas que tomou conta de todos ainda não havia os atingido: “Não é que não existiam drogas ou álcool por perto, mas naquela época ainda tínhamos controle desses hábitos. Conseguia me drogar e gravar logo em seguida, beber num pub e saber a hora de parar. Isso somente se tornou um problema anos mais tarde.”, admite Bill.

O álbum abre com uma das músicas mais adoradas da banda, Sweet Leaf. Butler revela a inspiração para a letra: “Estávamos gravando no Island Studios e eu fumava alguns cigarros da marca Sweet Afternoon que tinha acabado de trazer da Irlanda e que só existiam por lá. No maço estava escrito ‘It’s the sweetest leaf that gives you the taste’ (N.T: é a folha mais doce que te dá o sabor).  Então Ozzy leu frase e disse ‘O que será que dá pra escrever sobre isso?’, então já pensei ‘Sweet Leaf – yeah’’’’  - referindo a uma outra "folha" que pintava naquele estúdio.

Embora muitos ainda acreditem que foi Ozzy quem deu a famosa tossida que inicia a faixa, na verdade foi Tony Iommi quem se engasgou perto do microfone depois de dar uma bela tragada num baseado enquanto as fitas de gravação ainda estavam rolando entre uma música e outra. No fim daquele dia, quando o engenheiro de som se deparou com a tossida, sugeriu a Ozzy a ideia de utilizá-la na canção, o que agradou o músico. No dia seguinte estava pronto um loop bem curto que resolveram encaixar logo no começo, já que tinha tudo a ver pelo fato de a letra tratar da erva proibida.

Para After Forever, Iommi escreveu uma letra que falava abertamente sobre a crença no Cristianismo de forma positiva, afastando-se da temática sombria com que Geezer tratou sobre religião no passado. Bill Ward comenta sobre o assunto: “Anteriormente falamos sobre o lado negro das coisas e ainda penso no Sabbath como uma força escura, mas não estávamos descartando o Cristianismo.”. Mas é claro que Butler não deixou de desenvolver o tema no qual é especialista e na pesadíssima Lord of This World volta a tratar dos assuntos obscuros da nossa existência, após um belo instrumental de violão clássico intitulado Orchid.

Assim como War Pigs no disco anterior, Children of the Grave é a faixa com temática anti-guerra da vez. “Quando começamos a tocar a música na turnê pelos Estados Unidos, foi bem na época em que os veteranos da Guerra do Vietnã estavam voltando pra casa. Muitos deles iam aos nossos shows na cadeira de rodas e quando tocávamos essa canção ou War Pigs, eles chegavam até a frente do palco e erguiam suas bandeiras cantando junto. Era muito emocionante”, lembra Bill. Ela começa com uma faixa que serve como introdução chamada Embyo e desemboca num ritmo cavalgante que marcou época e arrepia até hoje, sendo obrigatória em qualquer show de todas as fases da banda. O final assustador composto por sintetizadores foi chamado de The Haunting.

Solitude é a música mais calma e viajante, lembrando Planet Caravan do segundo disco, e mostra a versatilidade dos músicos na composição. Mikael Akerfeldt, fã confesso e incondicional do Sabbath, a executou na atual turnê do Opeth. Confira a versão: http://www.youtube.com/watch?v=jtpZEk41bVY
Em seguida, Into the Void fecha com chave de ouro e é minha favorita! Iommi não economizou nos riffs e desfila um atrás do outro até não caber mais, com mudanças de andamento o tempo todo.



Capa da edição brasileira (1976)
Com mais de meio milhão de cópias vendidas antecipadamente, o LP foi lançado nos Estados Unidos em Julho de 1971 e um mês depois no Reino Unido, onde alcançou o número 5 nas paradas. Já na América,  ficou com o oitavo lugar, permanecendo por quarenta e três semanas entre os mais vendidos, tornando-se disco de ouro em questão de semanas e alcançou a platina em 1986. O álbum só chegou ao Brasil em 1976 e, pra piorar, os fãs tiveram que se contentar com uma capa que trazia a grafia do “Black Sabbath” impresso com letras coloridas que parecem infantis e ridículas quando comparadas às originais. No lado de dentro da embalagem havia um pôster que trazia uma foto da banda embaixo de uma árvore tirada por Marcus Keef, o mesmo fotógrafo responsável pela icônica foto que acompanhava o disco de estreia dos ingleses. Assim como em Paranoid, nenhum single foi extraído, embora tenha sido prensado um promo de 7 polegadas contendo Children of the Grave no lado A e do outro lado o Status Quo (companheiros de gravadora na época), tocando Roadhouse Blues, cover do The Doors e que pode ser conferida no clássico Piledriver, de 1972. Hoje, esse seven inch se tornou raríssimo e é sonho de consumo para colecionadores aficionados.

Pôster que acompanhava o Master of Reality

Selo do promo Black Sabbath/Status Quo

Após o lançamento, a banda caiu na estrada para sua mais ambiciosa turnê até aquele momento: foram quatorze meses praticamente ininterruptos, tirando apenas três semanas em que foram obrigados a cancelar algumas datas enquanto Ozzy se recuperava de uma laringite e Iommi de uma gripe. Ninguém é de ferro!

Sendo o álbum predileto de Bill Ward, ele o encaixa perfeitamente na discografia da banda: “Eu sempre olho para os três primeiros álbuns como parte do mesmo período para nós. Foi Master of Reality que definiu o quão bons nos tornamos. A banda atingiu o ápice com ele.  Quando ouço os primeiros discos, percebo que nos encontramos neste. Marcou um ponto em que depois começamos a nos desenvolver para outro caminho.”.


A influência que o disco exerce até hoje é incalculável. Inúmeras bandas de Heavy Metal, Doom Metal, como o Trouble de Chicago, e Stoner, vide os californianos do Kyuss, foram atingidos por esse clássico, que foi fundamental para o surgimento desses estilos. Falar dos riffs insanos de Tony Iommi e dos talentos únicos de cada músico é chover no molhado. Fato é que ninguém pode negar que a sonoridade pesada que a obra carrega é um marco para a história, assim como quando sua autointitulada estreia foi lançada e virou o rock de cabeça pra baixo.